terça-feira, 25 de agosto de 2020

Limites - 0 AOS 7 ANOS


Esta live foi gravada no dia 25/08 no instagram @jardimalecrimrecife em parceria com o @nucleoapantroposofico.


 

sábado, 22 de agosto de 2020

JOÃO DAS CINZAS

 

Era uma vez um fazendeiro que tinha três filhos. Os dois mais velhos saiam com o pai todos os dias para trabalhar no campo. O mais novo cuidava da casa e consideravam-no um bobo. Quando voltavam do trabalho, João tinha que se sentar ao lado do fogão, nas cinzas, porque achavam que ele era muito sujo e bobo para sentar a mesa com eles.

E por isso era chamado de João das Cinzas.

Certa vez, porém, quando saíram para fazer a colheita depois da noite de São João, viram que todo o trigo tinha sido cortado ou comido, e tiveram que passar fome naquele inverno. No ano seguinte aconteceu o mesmo e tiveram que passar fome de novo. No terceiro ano, o pai pediu ao filho mais velho que ficasse vigiando o campo de trigo durante a noite de São João, para ver quem lhes roubava o cereal.

O filho mais velho então, foi postar-se ao lado do campo de trigo ao escurecer, e à meia noite começou a soprar um vento muito forte, ouviam-se trovões e começaram a cair relâmpagos. O moço, assustado, foi abrigar-se numa pequena choupana ao lado do campo e como a tempestade piorava, ele se escondeu e não olhou mais para fora. De manhã foi espiar e viu que o trigo tinha sido levado embora novamente.

No ano seguinte o pai pediu ao segundo filho que fosse vigiar o campo naquela noite especial. À meia noite começou a tempestade, e o segundo filho, aterrorizado com todo o barulho foi esconder-se na choupana e não olhou mais para fora. Na manhã seguinte viu a tragédia: o campo de trigo estava vazio e passaram fome mais um inverno.

No terceiro ano então, João das Cinzas pediu permissão ao pai para ir vigiar o campo de trigo durante a noite de São João, mas o pai no principio nem quis saber. Dizia que o que os irmãos mais velhos não tinham conseguido, o bobo não iria conseguir jamais, mas João das Cinzas tanto insistiu que o pai deixou que tentasse.

João das Cinzas postou-se ao lado do campo e ficou esperando. À meia noite começou a terrível tempestade, com trovões e relâmpagos, mas João das Cinzas entrou na choupana, apoiou-se na janela e ficou olhando. Disse: Se isto não ficar pior, eu aguento!

Mas então ele viu um belo cavalo alazão levando uma armadura de cobre amarrada à sela, e que começava a comer as espigas de trigo. João das Cinzas jogou o seu laço e levou o cavalo pelo pescoço até um lugar secreto que só ele conhecia. Lá deixou o cavalo, jogou-lhe comida para um ano e voltou à choupana onde deitou no chão e dormiu. Na manhã seguinte os irmãos e o pai vieram acordá-lo e perguntaram: O que aconteceu? Você viu alguma coisa? Ou perdemos nosso trigo novamente?

Por que não vão olhar? Perguntou-lhes João das Cinzas. E que surpresa, lá estava o campo de trigo intacto, e por primeira vez, depois de muitos anos, passaram o inverno sem fome.

- Mas você não ouviu a tempestade? Não viu os relâmpagos? Perguntaram os irmãos.

- Eu não sei de nada, respondeu-lhes João das Cinzas, espreguiçando-se.

No ano seguinte, João das Cinzas pediu a seu pai autorização pra cuidar do campo de trigo durante a noite de São João e o pai deu-lhe permissão.

No meio da noite, eis que começa novamente aquela tempestade, e quando João das Cinzas foi abrigar-se na choupana, um vento muito forte começou a soprar, fazendo a choupana balançar de um lado para o outro, como se fosse cair. Mas João das Cinzas somente disse:

- Se isto não ficar pior, eu aguento!

E espiando pela janela viu um cavalo branco, maior que o cavalo alazão, com uma armadura de prata amarrada à sela, começando a comer as espigas de trigo. João das Cinzas jogou seu laço e levou o cavalo branco ao mesmo lugar secreto. Deu-lhe comida para um ano inteiro, e voltou a choupana, onde se deitou no chão e dormiu. Na manhã seguinte os seus irmãos o seu pai viram novamente o campo de trigo intacto e perguntaram a João das Cinzas que acordava:

- Você não viu nada? Não viu os trovões?

- Não sei de nada, respondeu e voltou para a cozinha.

No terceiro ano João das Cinzas foi novamente cuidar do campo de trigo. A meia noite começou a tempestade, a choupana balançava de um lado para o outro, e ouviu-se uma trovoada tão forte, como se o céu estivesse desabando sobre a terra. Mas João das Cinzas disse somente: - Se isto não ficar pior, eu aguento!

E espiou pela janela. Viu então um enorme cavalo negro com uma armadura dourada amarrada à sela. João das Cinzas jogou seu laço e levou o cavalo para junto dos outros dois, no lugar secreto, e deu-lhe comida para um ano. Depois deitou-se no chão da choupana e adormeceu.

Os seus irmãos e seu pai ficaram muito felizes por ver que o campo estava intacto e acordaram João das Cinzas.

- Você não viu nada? Não ouviu nada?

- Não sei de nada – disse, e voltou às cinzas na cozinha.

Nesse reinoo havia um rei bondoso que tinha uma filha muito bonita. Quando chegou da idade de casar-se, ela disse a seu pai: - Irei sentar-me na montanha de vidro, com três maçãs de ouro no colo. Casarei com aquele que conseguir subir a montanha de vidro e pegar as maçãs de ouro!

O rei então convocou a todos os príncipes e cavalheiros, moços corajosos e aventureiros que viessem fazer a prova. O pai e os irmãos de João das Cinzas quiseram ir ver o espetáculo, mas por mais que João das Cinzas pedisse para ir junto, não deixaram. – Teríamos que passar vergonha com você do nosso lado! Imagine, tão sujo, e bobo!

Mal haviam saído, João das Cinzas lavou-se, pôs uma camisa branca e foi ao lugar secreto. Vestiu a armadura de cobre, montou o cavalo alazão e foi em direção a montanha de vidro.

Lá muitos príncipes e moços valentes tinham tentado subir, mas os cascos dos cavalos sempre escorregavam, e os moços caíam, quebrando pernas e braços. A multidão que viera ver o espetáculo estava desapontada, pois nenhum herói conseguira passar a prova. O sol já ia se escondendo atrás das montanhas, quando viram algo brilhando no horizonte, que chegava cada vez mais perto, até que reconheceram ser um cavaleiro de armadura de cobre num cavalo alazão. Este subiu sem dificuldade as paredes lisas da montanha de vidro, mas ao chegar a um terço da subida, simplesmente virou e começou a descer novamente. A princesa, encantada com aquele lindo cavaleiro, pegou uma das maçãs douradas e rolou-a para baixo, que dessa forma entrou num sapato do cavaleiro.

João das Cinzas galopou até seu lugar secreto, tirou a armadura, guardou a maçã dourada e cuidou do cavalo. Depois voltou à cozinha e pôs a sua túnica de cinzas. Quando seus irmãos e seu pai voltaram, ele perguntou: - Como foi? Alguém conseguiu subir a montanha de vidro?

- Não, - responderam – mas bem no final da tarde surgiu um cavaleiro com armadura de bronze num cavalo alazão, brilhando à luz do sol, que subiu somente um terço da montanha e depois desceu novamente e foi embora.

- Deve ter sido lindo! – comentou João das Cinzas

- Amanhã o torneio continuará, quem sabe dessa vez algum príncipe conseguirá pegar as maçãs de ouro ou o cavaleiro de bronze virá de novo.

- Oh, posso ir com vocês, por favor? – Implorou João das Cinzas, mas o pai e os irmãos responderam-lhe que teriam que se envergonhar de leva-lo junto, tão sujo e bobo como era.

No dia seguinte, mal tinham saído, João das Cinzas lavou-se, pôs uma camisa branca e foi ao seu lugar secreto. Vestiu a armadura prateada, montou o cavalo branco e partiu em direção a montanha de vidro. Poucos moços nobres tinham tentado a sorte sem nenhum êxito e agora o povo olhava para o horizonte, esperando o cavaleiro de bronze. Mas eis que quando algo brilhou lá longe, era um cavaleiro prateado! Este, chegando a montanha de vidro, subiu sem dificuldades, mas deu meia volta quando chegou a dois terços da subida e desceu novamente. A princesa, encantada, pegou uma maçã do seu colo e rolou-a para  baixo, fazendo com que entrasse num sapato do cavaleiro, que logo depois desapareceu ao longe.

Quando o pai e os irmãos de João das Cinzas chegaram em casa, este já havia guardado o cavalo, a armadura e a segunda maçã dourada.

Perguntou: - E como foi hoje? O cavaleiro de bronze voltou? Alguém conseguiu pegar as maçãs de ouro?

Eles responderam que não, dessa vez viera um cavaleiro de prata e depois que sumira, o rei pediu ao povo que no dia seguinte todos ajudassem a segurar o cavaleiro de bronze ou de prata, para que descobrissem quem era.

- Que emoção! Que coisa linda! Como eu gostaria de ir junto e ver todas essas maravilhas - disse João das Cinzas, mas como sempre recebeu a resposta de que era muito sujo e bobo para ir junto.

No dia seguinte, então, mal haviam saído, João das Cinzas lavou-se e vestiu uma camisa branca, indo depois ao lugar secreto. Pôs a armadura de ouro, montou o cavaloo negro e foi em direção à montanha de vidro. Lá ninguém mais havia se atrevido a tentar subir e todos esperavam que o sol começasse a se esconder para ver qual dos cavaleiros viria. Como se admiraram ao ver um cavaleiro de armadura dourada num cavalo negro!

E como subiu sem dificuldade alguma a montanha de vidro e pegou a última maçã de ouro do colo da princesa. Depois desceu a montanha e com grandes saltos por cima das cabeças do povo estupefato, desapareceu ao longe. A princesa ficou inconformada e o rei ordenou que todos os homens e jovens do reino deveriam comparecer ao palácio para dizer se tinham as maçãs de ouro ou se sabiam algo sobre seu paradeiro. Os últimos a serem interrogados foram o pai e os irmãos de João das Cinzas que não sabiam de nada.

 

Enfurecido, o rei gritou: - Deve haver mais alguém neste reino que não compareceu ao palácio.

O pai respondeu timidamente: - Em casa temos somente o caçula, muito bobo e sempre sujo de cinzas, ele não deve saber de nada.

- Tragam-no aqui imediatamente. – disse o rei.

Os três foram rapidamente para casa, onde João das Cinzas nem tivera tempo de tirar sua armadura de ouro e somente vestira sua túnica suja, tendo o cuidado de pegar as outras duas maçãs de ouro que guardara no seu lugar secreto, quando levara o cavalo para lá.

Seu pai ordenou que fosse ao castelo e se comportasse bem e não perdesse o caminho, pois o rei estava esperando.

João das Cinzas saiu então e ao chegar no portão do palácio pediu que o deixassem entrar, pois o rei o esperava. Os guardas riram daquele bobão com túnica cheia de cinzas e deixaram que passasse. Ao entrar no salão do trono, os nobres e suas damas riram daquele moço tão simples, mas o rei o perguntou:

- Você sabe algo sobre as maçãs de ouro?

- Sim, meu rei, estão aqui. – respondeu tirando-as de sua túnica.

A pobre princesa quase desmaiou ao vê-las, pensando que agora teria que casar com um moço tão simplório.

Porém quando o rei lhe disse que ele então se casaria com a princesa e seria o novo rei, João das Cinzas tirou sua túnica e todos ficaram mudos ao ver na sua frente o cavaleiro de armadura dourada.

Fizeram uma linda comemoração e João das Cinzas foi coroado e casou com a bela princesa.

Mas neste meio tempo o pai e os irmãos começaram a ficar preocupados com a longa ausência do seu caçula e decidiram sair a sua procura. Pois mesmo que nunca tivessem o tratado bem, fazia parte da família. Quem sabe, teria se perdido no caminho ou algo lhe acontecera...

Finalmente chegaram ao palácio e pediram entrada, dizendo que procuravam João das Cinzas que deveria ter ido falar com o rei.

- Perguntem ao rei, disseram-lhe os guardas.

Entraram no salão, olhando somente para o chão, envergonhados e foram perguntando os nobres se haviam visto João das Cinzas e todos lhe respondiam:

- Perguntem ao rei!

Chegaram na frente do trono e sem levantar os olhos, perguntaram:

- Majestade, estamos procurando nosso caçula, João das Cinzas que deveria ter vindo ao palácio, mas não voltou para casa até agora.

- Ele já está aqui! – respondeu-lhes João das Cinzas.

Surpresos, reconheceram a voz dele e levantaram por fim os olhos e viram o caçula sentado no trono com uma coroa na cabeça e a bela princesa ao seu lado.

Sorrindo ele lhes disse:

- Quero que sejam felizes também, e lhes darei uma fazenda bem maior para que possam viver tranquilos e abastecidos


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

A lenda do Alecrim

 

A Lenda do Alecrim

Você deveria tomar chá de Alecrim todos os dias | HM Jardins ...

    Dizem que quando a sagrada família fugiu para o Egito com Maria levando em seus braços o menino Jesus, as flores do caminho iam se abrindo à medida que eles passavam por elas. O lilás ergueu seus galhos orgulhosos e emplumados, o lírio abriu seu cálice. O alecrim, sem pétalas nem beleza, entristeceu lamentando não poder agradar o menino.

    Cansada, Maria parou à beira do Rio e, enquanto a criança dormia, lavou suas roupinhas. Em seguida, olhou a seu redor, procurando um lugar para estendê-las.

    - O lírio quebrará sob o peso, e o lilás é alto demais.

    Colocou-as então sobre o alecrim e ele suspirou de alegria, agradeceu de coração a nova oportunidade e as sustentou ao Sol durante toda a manhã.

     - Obrigada, gentil alecrim! - disse Maria.

     - Daqui por diante ostentarás flores azuis para recordarem o manto azul que estou usando. E não são apenas flores te dou em agradecimento, mas todos os galhos que sustentaram as roupas do pequeno Jesus serão aromáticos. “Eu abençoo folha, caule e flor, que a partir deste instante terão aroma de santidade e emanarão alegria.”  

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Vivendo a Festa da Lanterna na pandemia


Uma escola Waldorf deve ser uma extensão das casas das famílias. Procurando uma maneira de continuar com essa verdade mesmo em tempos de pandemia, o Jardim Alecrim abriu as portas para visitas semanais. Onde as famílias podem vivenciar o espaço da escola, cuidá-lo e manter o vínculo vivo!

Agora na semana onde celebramos a Festa da Lanterna, uma das nossas famílias, de forma muito especial, reproduziu o teatro da Menina da Lanterna. E trouxeram um emocionante depoimento vivo de como foi viver nesse espaço nesse momento específico.

"Mais uma vez tivemos um dia maravilhoso em meio a esse caos de incertezas e inseguranças. Nossa segunda casa, o jardim alecrim desta vez nos proporcionou não só o aconchego de sempre, mas a oportunidade de chegar o mais próximo de uma vivência Waldorf possível durante essa pandemia! 

E lá fomos nós: mergulhando num mar de emoções e contemplações! Vivemos a festa da lanterna no Jardim Alecrim! 

Só gratidão, profunda gratidão!"

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Festa de São João em época de pandemia





Para as queridas Famílias do Jardim Alecrim, amigos e familiares🧚🏽‍♂️

Mais uma festa que passamos em casa com toda a alegria que nos é peculiar!!🔥 São João é uma festa cheia de riquezas, tanto na alegria e comidas, como no ponto de vista simbólico. 🌽🌽🌽🌽

No hemisfério sul, passamos pelo solstício de inverno, quando o Sol atinge seu limite máximo mais no hemisfério norte. Para nós do hemisfério sul, é a noite mais longa do ano, com o maior número de horas de noite, com sol abaixo da linha do horizonte.🌙🌕

Estamos também entrando na estação do Inverno, onde a Terra inicia seu sono, para revitalizar suas forças germinativas e explodir, logo mais, com o colorido da Primavera.🌨️

 Vamos Festejar São João em casa,🎉 com tudo que temos de saboroso e quente, dentro de nós. Segundo Rudolf Steiner, João Batista encerra uma época que a consciência era passada de geração para geração, e abre as portas para aquele que atuará, trazendo consigo a consciência individual. Usando este momento a nosso favor (isolamento), convido todos vocês  para esse  mergulho invernal, e  festejar com nossas crianças com o Bom, das deliciosas comidas juninas, colocando uma Bela mesa com velas e lanternas. Cantando as lindas canções da época da lanterna e São João e por fim contar uma história da época, para que o alimento da alma seja  levado para o sono com sua verdade.

Para as crianças com menos de três anos, podemos cantar e trazer contos curtos e repetitivos(rítmicos), para as maiores indico contos pouco maiores. Deixo aqui a indicação da história de Juliana, que encontramos no site das Festas Cristãs   💖

Que a chama do amor fique acesa em nossos corações!!🔥♥️ Nos enchendo de saúda e esperança!!


História da Juliana (Silvia Jensen)

Era uma vez uma menina chamada Juliana. Ela morava com seu pai e sua mãe numa casinha perto da floresta. Juliana tinha muitos amiguinhos e muitos brinquedos. O seu brinquedo preferido era um lindo balão azul. Ela o levava para o quintal e jogava o balão para cima e ele caia para baixo; jogava para cima e ele caia para baixo.

Mas certo dia veio o vento sul, que havia comido muito e por isso estava muito forte e levou o balão da Juliana lá para cima, no céu. Enquanto o balãozinho subia, os passarinhos cantavam:

“Sobe, sobe, balãozinho
Balãozinho multicor
Vai ser mais uma estrelinha
A alegrar Nosso Senhor”

E Juliana viu seu balão subindo, subindo, e este balão tinha um brilho especial que irradiava do coração de Juliana. Todas as noites ela olhava pela janela do seu quarto e o balão piscava lá no céu. No fundo do seu coração, Juliana sentia saudades do seu balão azul. Certo dia, ela foi passear na floresta e encontrou um anãozinho de touca vermelha que trabalhava: toc, toc, toc!

Juliana chegou perto dele e perguntou:
- Anãozinho, você acha que meu lindo balão azul vai voltar um dia?
- Ah, espere a noite mais longa do ano chegar, e ela lhe trará uma surpresa!

Juliana correu para casa e perguntou à sua mãe, quando seria a noite mais longa do ano. E sua mãe respondeu:
- espere os dias ficarem mais frios, as noites mais longas e o céu mais estrelado, e quando os anõezinhos acenderem sua fogueira lá na montanha, esta então será a noite mais longa do ano, a noite se São João.

Juliana olhava todas as noites pela janela para ver se os anõezinhos haviam acendido a grande fogueira, e nada acontecia.

Certa manhã Juliana acordou sentindo muito frio, vestiu casaco de lã, meia, luva, gorro e quando a noite chegou, o céu estava todo estrelado e lá longe ela avistou uma pequena chama, lá na montanha dos anõezinhos. Ela apurou bem seus ouvidos e escutou:

“Sobem as chamas, sobem as chamas
Mais alto, mais alto,
Iluminam e alegram
Nossas vidas nossas almas”
E lá do alto do céu ela viu algo brilhante descendo, e os passarinhos cantavam:
“Cai, cai balão, cai, cai, balão,
Na rua do sabão.
Não cai não, não cai não, não cai não,
Cai na mão da Juliana”

Juliana levantou suas mãos para cima e o balão caiu em suas mãozinhas. Dentro dele havia um pozinho brilhante, era o pozinho das estrelas, e quem nele tocasse ficaria conhecendo a alegria de nosso Senhor. E Juliana, muito bondosa, deu um pouquinho do pozinho para seus amiguinhos, para os anõezinhos e para todos os bichinhos que estavam ao seu redor.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Festa da Lanterna 2019

Nas escolas Waldorf’s, além das músicas e das histórias que simbolizam essa imagem, no dia da nossa Festa da Lanterna, uma linda peça teatral é apresentada, por toda a comunidade da escola, onde as crianças se desfrutam vendo seus pais interpretando cada personagem e os pais se emocionam, assim como toda a escola. E essa festa, tão singela, mas tão forte, se torna tão verdadeira dentro de nós que os nossos pequenos conseguem sentir a nossa chama tocar a deles. E assim nos mantemos, acessos!

Fotografias: Camila Coimbra































domingo, 7 de junho de 2020

Teatro - A Menina da Lanterna


Festa da Lanterna: A história da Menina da Lanterna e de sua ...

Personagens:   Menina da lanterna, Raposa, Urso, Ouriço, Criança, Fiandeira, Sapateiro, Estrelas, Narrador.


Música:      Eu vou com minha lanterna e ela comigo vai
                    No céu brilham estrelas, na Terra brilhamos nós
                    Minha luz se apagou, pra casa eu vou,     
                    Com minha lanterna na mão.              ( 2x )

Era uma vez uma menina  que alegremente carregava sua lanterna pelas ruas.
Menina:      Eu vou com minha lanterna...
De repente chegou o vento e com grande ímpeto, apagou sua luz.
Menina:       Ah! Quem poderá reascender a minha lanterna ?
Olhou para todos os lados mas não achou ninguém
                     ( aparece o ouriço)
                     Que animal mais estranho, com espinhos nas costas,
                     olhos vivos, tão ligeiro, entre as pedras se esconde?
                     Ah, um ouriço aparece!
Menina:        Querido ouriço! O vento apagou a minha luz; será que você sabe quem poderá acender a minha  lanterna?
Ouriço:         Não sei dizer-lhe, pergunte a outro! Não posso demorar.
                      Corro para casa, dos filhos cuidar!
(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)
                     (Aparece o urso)
                      Cabeça enorme, pesada, corpão peludo, desajeitado em lenta caminhada.
                      Grunindo, resmungando, assim surge o urso na floresta!
Menina:         Querido urso, o vento apagou a minha luz; será que você sabe quem poderá acender a minha lanterna?
Urso:             Não sei dizer-lhe, pergunte a outro.
                       Estou com sono, vou dormir e repousar. Hum, hum, hum...
(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)
                        ( aparece a raposa )
                        Quem, de pelo ruço, de passo furtivo, entre o capim se esgueira? É  a raposa ! Seu focinho levanta e farejando, a menina descobre.         
Raposa :          Que fazes aqui na floresta? Volte já para casa. Estou caçando e  você  me afugenta os ratinhos!
Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la.  Sentou-se  sobre  uma  pedra e chorou.
Menina:            Será que ninguém quer me ajudar ?
(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)

Estrelas:           Pergunte ao sol. Ele poderá lhe ajudar. 
Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar seu caminho.
(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)

Finalmente chegou a uma casinha, dentro da qual, avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta.
Menina:           Bom dia querida vovó!
Fiandeira:              Bom dia.
Menina:           Será que a senhora sabe o caminho até o sol?
                         Venha comigo procurar o sol.
Fiandeira:              Não posso acompanhá-la. A roca não pode parar, eu fio sem cessar. Descanse um pouco, pois seu caminho é muito longo.
(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)

Depois que descansou, a menina pegou sua lanterna, despediu-se e continuou sua caminhada. A menina encontrou outra casinha no seu caminho: a casa do sapateiro. Este estava sentado em sua oficina consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta.
Menina:            Bom dia querido sapateiro.
Sapateiro:         Bom dia.
Menina:            Será que o senhor conhece o caminho até o sol? Venha comigo procurar o sol!
Sapateiro:         Não posso acompanhá-la, tenho muitos sapatos para consertar. Descanse um pouco, pois seu caminho é muito longo.
(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)

Depois que descansou a menina pegou sua lanterna, despediu-se e continuou sua caminhada...Lá ao longe avistou uma montanha muito alta.
Menina Com certeza, o sol mora lá em cima
E pôs-se a correr rápida como uma corça...No meio do caminho encontrou uma criança que brincava com uma bola.
Menina:            Venha comigo, vamos até o sol!
Mas a criança nem respondeu, preferindo brincar com sua bola e afastou-se saltitante pelos campos. Então, a menina da lanterna continuou sozinha seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o sol.
Menina:       Vou esperar aqui até o sol chegar.
 Como estava muito cansada de sua caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu. O sol já tinha avistado a menina há muito tempo... Ao entardecer, o sol desceu até ela e acendeu sua lanterna.
(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)
Depois que o sol voltou para o céu, a menina acordou.
Menina:             Ah! A minha lanterna está acesa!
E com um salto, pôs-se alegremente a caminhar.

(Melodia da música da lanterna tocada em uma flauta.)

Na volta reencontrou a criança da bola que lhe disse:
Criança:             Perdi a minha bola e não a encontro mais no escuro.
Menina:             Vou ajudá-la com a minha luz.
Música:             Minha luz vou levando
                           Sempre dela cuidando
                           Se alguém precisar
                           Dela posso lhe dar.

Criança:            Encontrei a bola!
A  criança e afastou-se rapidamente. A menina da lanterna continuou seu caminho até o vale e chegou à casinha do sapateiro. O sapateiro estava sentado, muito triste na sua oficina.
Sapateiro:         O fogo se apagou e agora minhas mãos estão duras de frio. Não consigo  trabalhar mais.
Menina:             Eu acenderei nova luz para você.
Música:             Minha luz vou levando...
O sapateiro agradeceu, aqueceu as mãos  e pôde novamente martelar e costurar com todo afinco os seus sapatos. A menina continuou sua caminhada até chegar a casa da velha fiandeira. O seu quartinho estava escuro.
Fiandeira:               Minha luz se apagou e não posso mais fiar,
                           disse a velha fiandeira.
Menina:             Eu acenderei nova luz para você.
Música:             Minha luz vou levando...
A fiandeira agradeceu e logo sua roca começou a girar, fiando, fiando...sem cessar. Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho da sua lanterna.
            A raposinha ofuscada farejou para descobrir de onde vinha tanta luz.
           O urso bocejou, grunhiu e tropeçando desajeitado foi atrás da menina.
           O ouriço, muito curioso, aproximou-se da menina e perguntou:
Ouriço:            De onde vem este vaga-lume tão grande?
Assim a menina voltou muito contente para casa, sempre cantando a sua canção:

Música:            Minha luz vou levando
Sempre dela cuidando.
Se alguém precisar,
Dela posso lhe dar.